A mulher que apresenta qualquer problema na vulva, seja mancha, coceira persistente ou vermelhidão, não sabe se busca auxílio no ginecologista ou no dermatologista.
Por vezes, os ginecologistas exploram diretamente a vagina e o colo do útero, ficando desatentos (ou desinteressados) em relação a algum problema na vulva. Por sua vez, muitos dermatologistas não gostam de examinar genitais e deixam de lado esta parte do corpo na hora do exame físico.
Mas escolher o tipo de especialista torna-se mais difícil ainda quando o sintoma é a coceira.
Abaixo, deixo um relato real de uma paciente que se consultou comigo, conseguiu seu diagnóstico e a melhora dos sintomas.
A paciente do relato acima foi diagnosticada com Líquen Escleroso, doença de pele que causa coceira e dor na vulva e muitas vezes é diagnosticada erroneamente como candidíase vaginal. Se não for tratada, a progressão pode levar à perda das características genitais, mas com diagnóstico precoce e tratamento simples, a condição pode ser controlada com sucesso.
O líquen escleroso é uma doença inflamatória não infecciosa da pele que afeta mais frequentemente os órgãos genitais e a região anal e pode causar o aparecimento de manchas brancas na pele na vulva.
Os principais sintomas incluem coceira, formigamento e queimação na vulva, podendo estender-se para o ânus.
Com o passar dos anos e sem tratamento, a pele pode tornar-se fina, frágil e propensa a rachaduras e fissuras. Manchas brancas podem surgir. A vulva pode até cicatrizar e encolher com o tempo, levando à perda dos pequenos lábios (lábios vaginais internos) e do clitóris. Esse encolhimento pode estreitar a entrada da vagina, tornando o sexo doloroso como resultado. Em um pequeno número de casos, se não for tratado, o Líquen Escleroso pode causar câncer na vulva.
O líquen escleroso é considerado por muitos como uma condição autoimune e de predisposição genética, mas estas são questões controversas.
No entanto, existem várias “condições de vida e saúde” que sabidamente exacerbam os sintomas: meninas que ainda não menstruaram, mulheres na menopausa, diabetes mal controlada, distúrbios do sono, depressão, dieta rica em oxalatos.
Para confirmar o Líquen Escleroso você pode precisar de uma vulvoscopia, exame que envolve observar as áreas afetadas com um instrumento de aumento. Uma biópsia de pele, feita por um especialista na vulva, poderá confirmará o diagnóstico.
O acompanhamento é crucial, assim como o autocuidado.
O tratamento de primeira linha é o uso regular de um creme ou pomada de esteroide tópico, que acalma a resposta inflamatória. O tratamento a laser para a vulva também pode ser benéfico para
alguns pacientes, particularmente mulheres na menopausa.
Em casos mais agressivos, onde o Líquen Escleroso resultou na formação de pele cicatricial e alterações na vulva que dificultam a micção ou a atividade sexual, o tratamento cirúrgico pode ser necessário. No entanto, isso é raro se a condição for diagnosticada e tratada corretamente em seus estágios iniciais.
O Líquen Escleroso é uma condição complexa, mas controlável, mas é crucial iniciar o tratamento antes que progrida e permanecer sob os cuidados de um profissional experiente.
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Médica ginecologista e obstetrícia formada pela Universidade de Caxias do Sul, RS.
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