A conização é retirar uma porção do colo do útero na forma de um cone. A conização é uma cirurgia vaginal, isto é, não precisa abrir a barriga e não fica cicatriz por fora.
O pedaço do colo em forma de cone pode ser retirado por bisturi tradicional ou por alça de radiofrequência momo mostra a figura abaixo.
Atualmente, a maioria das conizações é feita por alça de radiofrequência, sendo chamada de Cirurgia de Alta Frequência. Esta técnica apresenta menores índices de complicações e recuperação mais rápida em relação a técnica feita com bisturi frio tradicional.
A Cirurgia de Alta Frequência (CAF) é conhecida também como LLETZ (Large Loop Excison of the Transformation Zone), LEEP (Loop Electrosurgical Excision Procedure) ou, simplesmente, Exérese tipo III por Alça Diatérmica.
A alça diatérmica é um eletrodo que conduz energia de baixa voltagem e alta frequência, que permite o corte do tecido com retirada da área doente com mínimo dano ao órgão.
Todo o procedimento é realizado sob visão colposcópica, permitindo o mapeamento do colo em tempo real durante a cirurgia.
A principal indicação de uma conização por CAF é a presença de lesão de alto grau no colo do útero, isto é, presença de uma ferida pré-cancerosa.
A principal complicação é o sangramento (em torno de 5 a 10%% dos procedimentos).
Infecções, lesão de vagina e dor crônica são complicações raras (menos de 2% das pacientes). Estenose do orifício cervical (fechamento do canal por onde passa a menstruação) também é raro e quando ocorre acometem principalmente mulheres na menopausa.
Em mulheres que desejam engravidar futuramente, a conização pode (em cerca de 5%) propiciar aborto de segundo trimestre e parto prematuro. Logo, recomenda-se que, se a paciente engravidar após o procedimento, seja realizada medida do colo uterino já na primeira ultrassonografia, para que possam ser realizadas medidas preventivas para que não haja perdas.
O preparo da paciente varia entre os especialistas.
Para as minhas pacientes, sempre sugiro ir depilada na região vulvar ou cortar os pelos bem curtos. Pelos longos, por vezes ficam na frente da lente do colposcópio e atrapalham a visão para a cirurgia.
Sugiro também ir de cabelo seco (já que o aparelho de alta frequência passa corrente) e sem esmalte e sem unhas artificiais grossas (para melhor captação pelo oxímetro).
Se utilizar remédios, estes podem ser tomados normalmente. Se utilizar anticoagulante (incluindo aspirina) ou antidiabético, pode ser necessária a suspensão prévia.
Retirar todos os objetos metálicos móveis do corpo (brincos, anel, pulseira), exceto aparelho ortodôntico.
Geralmente utiliza-se anestesia local juntamente com a anestesia geral venosa (“chamada popularmente de sedação”) ou raquianestesia.
Nos primeiros 15 dias, saída de secreção aquosa, às vezes misturada com uma pequena quantidade de sangue. Material parecendo “lâminas” de pele, pontos pretos e “cascas” amareladas podem sair. Às vezes pode haver saída de sangue vivo, sem que isto represente problema. Na maioria das vezes, este sangramento para sozinho em até 7 dias.
Se sangramento persistente, sangramento volumoso, dor intensa ou febre, procurar imediatamente serviço de saúde.
Evitar a relação sexual com penetração vaginal por cerca de 30 dias. Evitar entrar na água de praia e piscina por 20 dias.
A maioria das pacientes fica muito bem (sem dor) após 5 a 7 dias da cirurgia.
Sim. Quando falamos de cura para a lesão de alto grau, falamos de cura do colo, isto é, colo livre de doença, livre de lesão. Mas lembre-se que a lesão de alto grau é produzida por um vírus chamado HPV. Se você permanecer com o vírus ou adquirir um novo HPV no futuro pode desenvolver novamente uma ferida pré-maligna.
É neste momento que reforçamos ainda mais necessidade de vacinação nonavalente contra o HPV em mulheres até os 45 anos. A vacinação nas mulheres submetidas a conização está relacionada uma ocorrência significativamente menor de lesão de alto grau, prevenção de reinfecção ou de reativação da doença.
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Médica ginecologista e obstetrícia formada pela Universidade de Caxias do Sul, RS.
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